... (II)
- 7 de set. de 2016
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“Eu gostaria de te amar, mas sou o seu pior inimigo — sou eu aquele que te reprime, esmaga e lhe impede de crescer desde os primeiros raios de Sol. Sou eu, admito. Desconstruo-me, como se isso fosse bosta alguma; meto-me n’água contra a corrente e sinto minha boca se encher de espuma, de sal, e tento dar o passo que não me cabe dar.
Aliás, a mim: nada me cabe.
Eu não posso ajudar, não sei suavizar: eu sou um bicho escroto que tropeça, rasga, que balbucia para frente e para trás em uma caverna qualquer. O que me resta: diminuo-me, sumirei do mundo. Eu gostaria de poder te amar, e justamente por isso eu me abstenho de tentar. Ame-se, seja feliz — saia voando junto com a leveza de uma brisa e tome a vida em seus braços.
Eu não faço mais sentido: catarei uns galhos e acenderei uma fogueira.”
Diego Viñolo de Andrade
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