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paris é uma festa

  • 7 de set. de 2016
  • 2 min de leitura

“(…) o patron dissera ao jovem:

— Vocês são todos uma génération perdue.

— É isso mesmo que vocês são. É isso o que vocês são — disse Miss Stein. — Todos vocês, essa rapaziada que serviu na guerra. Vocês são uma geração perdida.

— Você acha? — perguntei.

— São — insistiu ela. — Vocês não têm respeito por coisa alguma. Vocês bebem até morrer…

(…)

— Não discuta comigo, Hemingwa — retorquiu Miss Stein. — Não adianta nada. Vocês todos são uma geração perdida, exatamente como o dono da garagem disse.”

Mais tarde, quando escrevi meu primeiro romance, procurei contrabalançar a citação que Miss Stein fizera do dono da garagem e me perguntei se ele teria sido transportado alguma vez num daqueles veículos, convertidos em ambulância. Lembrei-me de como costumavam queimar os freios descendo estradas de montanha com uma carga completa de feridos, engrenados em primeira e, finalmente, até mesmo na marcha à ré. E de como os últimos modelos T foram jogados desfiladeiro abaixo, quando substituídos por grandes Fiats com boas caixas de mudança e freios de metal. Pensei em Miss Stein e em Sherwood Anderson, em egoísmo e preguiça mental versus disciplina, e pensei também: “Veja só quem chama os outros de geração perdida!” E então, quando me aproximei do Closerie des Lilas, os refletores iluminando um velho amigo, a estátua do Marechal Ney com sua espada desembainhada, as sombras das árvores batendo no bronze e ele sozinho ali, sem ninguém atrás dele, lembrei-me de seu fiasco em Waterloo e concluí que todas as gerações eram perdidas, por alguma razão, sempre tinham sido e sempre haveriam de ser.”

Paris é uma Festa, Ernest Hemingway


 
 
 

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